quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Rocky Balboa e o espírito do capitalismo

Gosto do jeito com que Stallone construiu o personagem de Rocky: ele é praticamente um arquétipo do espírito individual que luta implacavelmente contra as circunstâncias adversas para alcançar seus objetivos. As brigas de Rocky não são apenas contra seus adversários: ele luta contra as circunstâncias, contra a torcida, contra as probabilidades, contra ele mesmo. Principalmente contra ele mesmo.

Lembro bem da inversão imensa de papéis que se passa em Rocky 4, na luta contra o monstro de músculos soviético Ivan Drago. Rocky treina com equipamentos simples, passa frio, corre na neve; Drago usa a mais moderna tecnologia em seus treinamentos, inclusive anabolizantes. Eu costumava achar que isso era uma espécie de hipocrisia, já que os norte-americanos sempre fizeram questão de usar tecnologia de ponta em todos os esportes; hoje vejo que Rocky não representa os EUA em si, e sim o espírito que se espera de seus habitantes (contra Drago, que é a imagem do que os americanos imaginam da frieza comunista).

No filme mais novo, Rocky Balboa é George Foreman participando de uma luta que todos consideravam perdida e, no final, ganhando o título de campeão mundial contra um oponente dezenove anos mais novo (se alguém resolver assistir, fica bom depois de 2:00).

Mas mesmo gostando muito dos filmes, Rocky não me diz muita coisa. Ele é previsível demais, bonzinho demais, chato demais pro meu gosto:



Imagino como seria um episódio de House em que ele tratasse um paciente com as ideias e o espírito de Rocky. Arrisco: perto do final, House daria um diagnóstico parecido com 'Você vai ficar bem, mas sua vida como saco de pancadas terminou. Se você tomar mais um soco na cabeça, vai morrer instantaneamente.'. Rocky fecharia a cara, engoliria as piadas calado, iria pra casa calado. Depois de alguns meses, se sentindo muito bem, ele se lembraria de que 'ninguém diz a ele o que pode ou não fazer', questionaria mentalmente o médico, e entraria em uma disputa amadora em um ringue qualquer. Primeiro soco, Rocky cai morto. (Porque, é claro, a capacidade humana de superar as circunstâncias adversas é limitada. Ninguém é Deus, nem House, muito menos Rocky.)

2 comentários:

Henrique Rossi disse...

Será que é possível remeter sua crítica ao "excesso de bondade" à conhecida alegoria do santo e do beato? É que o segundo, ao invés de ser autenticamente bom, não passa de caricatura do primeiro - como as BBBs, que nunca passarão de aspirantes a celebridade. Ou Rocky é verdadeiramente bom?

No vídeo que você colocou ele fala de uma forma exageradamente intelectual para um sujeito grosseirão. Imagine um jogador de futebol falando as mesmas coisas...

André T. disse...

Hm, na verdade eu gosto dele, mas ele não me desperta interesse. Entende? A previsibilidade dele me entedia.

Essa parte do filme é ele 'filosofando' sobre o que ele pensa. É como se ele estivesse se olhando de fora. Sei lá, é um recurso meio barato, mas acho que é até válido no contexto porque ele tem que se explicar para o filho.