sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Top 7 filmes que valeriam só pelo final

De um tempo pra cá, desgostei de listas. Acho elas limitadas, simplistas e, inevitavelmente, deixam participantes dignos de fora (mesmo que sejam participantes dignos de serem execrados). Mas o caso é que assisti Vidas em jogo novamente essa semana e veio uma vontade irresistível de fazer uma listinha de filmes com finais foderosos.

7 - Clube da luta - Porque, afinal, quem é Tyler Durden? E quem se importa com companhias de cartão de crédito levando prejuízo?

6 - Vidas em Jogo - Filme divertido e despretensioso. Tenso, divertido e despretensioso.

5 - O sexto sentido - Meio que obrigação de entrar nessa lista, não?

4 - Se7en - O último dos pecados é memorável (assim como todos os outros).

3 - Planeta dos macacos  (o original, claro) - Nãããão!!! Eu não acredito!!!

2 - Os suspeitos - Keyzer Söze. Medo de Keyzer Söze.

1 - Doutor Fantástico - Yahooooo!

Nova cara

Hoje estava passeando pela net e me deparei com outro blog com o mesmíssimo layout que o digitando exibia. Fiquei com uma sensação estranha, talvez a mesma que a Nicole Kidman teria caso encontrasse outra mulher na cerimônia do Oscar com um vestido parecidíssimo.

Enfim, isso que vocês vêem é o resultado parcial. Faltam alguns links e alguns ajustes... mas a cara vai ser mais ou menos essa. No entanto, sugestões são bem-vindas (e talvez nem sejam desprezadas).

(Já vi que a barra de título não é link pro home. Isso me irrita deveras, mas vai ficar pra amanhã.)

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Da Europa, um exemplo



Como sempre, a igreja é muito mais esperta do que a direita conservadora. Resmungou com a notícia para ficar bem na foto, mas não rosnou, nem mordeu. Isso porque ela sabe que o que agora parece uma derrota para o cristianismo é uma vitória a longo prazo, já que a decisão abre precedentes para outras regulamentações que inevitavelmente atingirão o Islã. E, na Europa, o Islã é um adversário muito mais importante do que o laicismo.

Dawkins, Dennet, esse povo faz muito barulho, mas na prática não manda nada. Muito mais complicado do que a retirada dos crucifixos é conviver com burcas e a lei sharia, que avança perigosamente sobre tribunais ingleses.

(Talvez eu esteja errado sobre a opinião da ICAR. Não tenho nenhum embasamento para escrever nada disso fora uma opinião mais ou menos fundamentada em notícias colhidas ao léu mas, com o pouco que sei, me parece fazer sentido.

Estou brincando de ter certeza.)

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Incantation

Human reason is beautiful and invincible.
No bars, no barbed wire, no pulping of books,
No sentence of banishment can prevail against it.
It establishes the universal ideas in language,
And guides our hand so we write Truth and Justice
With capital letters, lie and oppression with small.
It puts what should be above things as they are,
Is an enemy of despair and a friend of hope.
It does not know Jew from Greek or slave from master,
Giving us the estate of the world to manage.
It saves austere and transparent phrases
From the filthy discord of tortured words.
It says that everything is new under the sun,
Opens the congealed fist of the past.
Beautiful and very young are Philo-Sophia
And poetry, her ally in the service of the good.
As late as yesterday Nature celebrated their birth,
The news was brought to the mountains by a unicorn and an echo.
Their friendship will be glorious, their time has no limit.
Their enemies have delivered themselves to destruction.


Minha tradução, porquíssima como sempre:

A razão humana é bela e invencível.
Nem barras, nem arame farpado, nem destruição de livros,
Nem sentença de banimento pode prevalecer sobre ela.
Ela estabelece as ideias universais da linguagem,
E guia nossa mão para que possamos escrever Verdade e Justiça
Com letras maiúsculas, mentira e opressão com minúsculas.
Ela coloca as coisas acima das outras como são,
É inimiga do desespero e amiga da esperança.
Ela não diferencia Judeu de Grego ou escravo de mestre,
Dando a nós o estado do mundo para controlarmos.
Ela preserva frases transparentes e austeras
Da corrompida desarmonia das palavras torturadas.
Ela diz que tudo é novo debaixo do sol,
Abre o punho sólido do passado.
Belas e muito jovens são a Filo-Sofia
E a poesia; sua aliada a serviço do bem.
Foi como ontem que a Natureza celebrou seu nascimento,
As novidades que foram trazidas às montanhas por um unicórnio e um eco.
Sua amizade será gloriosa, seu tempo não tem limite.
Seus inimigos se entregaram à destruição.


Czeslaw Milosz, no prólogo do The Secular Conscience.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Gattaca e síndrome de Down



Primeiro, pegue uma questão cabeludíssima sobre aborto de fetos com síndrome de Down (sendo o aborto legalizado, é ético abortar um feto que irá nascer com sérios problemas cognitivos? Que não seria abortado caso não tivesse esses problemas?).

Adicione uma notícia sobre fabricação de espermatozóides e óvulos em laboratório - dizem que em cinco anos vai ser possível um processo totalmente artificial. Considere a possibilidade de escolher as características da criança que vai nascer, como quando você vai jogar algum RPG no computador e tem oportunidade de desenhar o rosto, o corpo e traços de personalidade do protagonista.

Misture bem e leve ao fogo. Devagar, vá adicionando paulatinamente informações diversas sobre órgãos artificiais - mãos, braços, pernas, corações, pulmões, pâncreas, you name it. Polvilhe com fragmentos de câmeras conectadas ao cérebro  que funcionam como substitutas para olhos.

Depois de solidificar, coloque a massa na forma de conceitos transumanistas (abraçar a tecnologia genética, pular fundo dentro da piscina dos genes). Cubra com singularidade tecnológica (o ponto em que o avanço tecnológico tende a um valor infinito). Deixe assando por alguns séculos, ou décadas, ou anos, ou nunca. Isso não sabemos.

O bolo que sai do forno de muito difícil digestão, concordo. E é real; dentro de um futuro próximo, poderemos, se quisermos, ser mais do que humanos. Mais fortes, mais inteligentes, mais rápidos. É um assunto pra lá de polêmico, e ninguém quer uma multidão de loiros de olhos azuis. Mas não tem que ser necessariamente assim; temos que aprender a ser melhores humanos para só então sermos mais do que humanos. Afinal, se a evolução espiritual é tão prezada, porque não pensar também na evolução da espécie?

Pensei nisso ontem e hoje e tendo a acreditar que (mesmo tendo lido 1984 e tendo assistido Gattaca) os potenciais benefícios seriam muitos para descartá-los sem julgamento. Mas também tenho meus medos, e ainda não tenho opinião formada sobre a situação como um todo.

É realmente um caso a ser pensado. Para quem se interessar, vale a pena ler sobre transumanismo e pós-humanismo, links ali em cima.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

O talentoso Tom Castro

Ontem conversei com alguns amigos sobre pessoas que tomam para si a vida de outras pessoas - visando dinheiro, status, as coisas de sempre. Talentosos Ripleys da vida real, por assim dizer.

Com muitas tentativas e um pouco de paciência consegui encontrar a história de Tania Head, que mentiu por vários anos a muitas pessoas sobre ter sobrevivido aos ataques de 11 de setembro. Tania dizia estar alguns andares acima do ponto de impacto, tendo escapado com queimaduras e lembranças terríveis. Sua história comoveu e cativou os corações de norte-americanos famintos por tragédias, e ela se tornou líder do grupo de sobreviventes. Tania chegou a guiar Rudolph Giuliani pelos escombros das torres.

Depois de algumas informações desencontradas, os jornalistas começaram a juntar A com B e descobriram que, na verdade, o nome dela é Alicia e ela estava em Barcelona no dia dos ataques.

Outra boa história é a do brasileiro que se fazia passar por dono da Gol e que, segundo boatos, chegou a emprestar helicópteros de famosos 'reais' e até a conhecer modelos biblicamente. Sobre isso não consegui encontrar praticamente nada consistente, mas eu me lembro que ele até foi entrevistado pelo Otávio Mesquita.

Mas a história que mais me impressiona é a do falso Sir Roger Tichborne, que aconteceu por volta de 1865. Herdeiro da fortuna de seu pai, Sir Roger morreu em um naufrágio quando voltava do Brasil para reclamar seus direitos. A mãe, desesperada, se recusou a aceitar a morte do filho e mandou recados aos quatro cantos do mundo procurando por ele.

Aí que a coisa fica estranha: aparece um australiano (que na verdade se chama Tom Castro) se dizendo Sir Roger e a mãe do defunto, desesperada, o aceita como filho. Detalhe: Sir Roger só conversava com a mãe em francês, enquanto o impostor não fala uma palavra da língua. Tom era só mais ou menos parecido com Sir Roger. Muitas pessoas o denunciam logo que ele aparece, mas a mãe continua acreditando no impostor. A farsa só se desfaz três anos depois, com a morte de Lady Tichborne.

O que eu fico pensando é... caramba, como é que as pessoas acreditam? Como é que aceitam as inconsistências, não perguntam, aceitam? É medo de encarar a realidade?

E pior, será que eu faria o mesmo?

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Bastarda insanidade

- Assisti Bastardos Inglórios.

- Ah, eu também já vi. Gostou?

- Então, gostei pra caramba. Mas sei lá, o filme é um liquidificador moral, né?

- Bom, eu tento deixar o cérebro do lado de fora da sessão.

- Eu também, mas o Tarantino apelou. Já ficaria implícito que rir da morte e do sofrimento é algo digno de pessoas como Hitler. Ele foi mais longe e deixou isso explícito... parece que estava rindo com a nossa cara.

- Você tem razão, mas ele riu da própria cara também. Lembra da cena em que o Hitler elogia o filme e o Goebbels fica todo emocionado, chega até a chorar?

- É. De alguma forma estranha, nós, como audiência, somos Hitler e o Tarantino, como diretor, é o Goebbels, feliz por provocar o nosso riso diante do sofrimento alheio. É terrível. Ele joga o público na lama e se joga na lama junto com ele.

- Ah, não. Mas aí você desconsidera que os acontecimentos finais estão circunscritos convenientemente dentro de um cinema***. O que eu acho que ele esteja dizendo é que, dentro do cinema, tudo pode. Dentro do cinema, podemos torcer pro bandido, podemos gostar de ver o malvadão sofrendo, podemos não ligar a mínima pra uma cena de violência extrema. Não há nada de errado com isso.

- Acho que faz parte da nossa natureza, essa coisa de gostar de ver o inimigo sofrendo. É muito algo difícil de negar.

- Ainda mais quando os nazistas estão do outro lado. Quanto mais identificamos os inimigos como malvados, mais fácil é aceitar que maldades sejam praticadas com com eles.

- Mas e no caso do filme do Batman, aquele truque do desaparecimento da caneta do Coringa? O cara era um bandidinho qualquer, nada importante, irrelevante pra história. Não se sabe se ele era de fato malvado.

- Talvez a gente não precise de uma vítima malvada para justificar a violência, mas ajuda muito.

- Ou talvez a insanidade também faça parte da nossa natureza.

- Hm. Cara, quer assistir o Batman de novo?


- Só se for agora!

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*** - Esse é o tipo de frase que faz o pessoal do trabalho olhar pra mim com uma cara de 'WTF???'. Muito bom.

Créditos à Deh, que não é nenhum dos dois 'personagens' mas que contribuiu com ideias.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

The Asimov Chronicles - Parte 3


- Cara, você viu o vídeo sobre o cara simulando um cérebro humano usando computadores?

- Não... tava com preguiça.

- Então... ele simula um neurônio em cada processador, diz que entendeu como funcionam os diversos tipos de neurônio e as ligações entre eles. E acredita que criando um modelo disso usando um supercomputador, vai conseguir simular um cérebro, com consciência e tudo, em menos de dez anos!

- Caramba. Legal. Você viu a Maitê cuspindo na fonte?

- Vi sim. Foi uma ótima desculpa pros portugueses soltarem os preconceitos deles. Ah, mas então, imagina, como seria quando esse cérebro artificial acordasse?

- Será que ele ia falar algo como... 'bom dia?' ou... 'leve-me ao seu líder?'.

- Hahaha, não. Provavelmente ele não diria nada, já que não saberia falar. Levaria muito tempo até poder aprender a entender uma linguagem.

- Tem razão. É como uma criança, né? Uma criança na máquina. A não ser que dessem a ele um conhecimento prévio de uma linguagem. Mas aí estariam roubando, não?

- É, também acho que estariam. E sabe uma coisa que me faz pensar? Se esse cérebro artificial for modelado a partir de um cérebro humano, então, mesmo que seja feito de forma a ter mais neurônios, mais sinapses, ele ainda assim vai estar propenso a erro. Aí... imagina que o tal computador acerte um montão de previsões e consiga responder a qualquer tipo de pergunta baseado em premissas e lógica. Aí você dá uns pressupostos pra ele de coisas que conhecemos e faz uma pergunta muito importante... tipo...

- ...tipo 'Deus existe?'.

- Eu estava pensando em algo como 'É possível criar um modelo socio-econômico em que a felicidade humana seja maximizada e qual seria esse modelo?', mas a sua serve. Aí, bom, imagina se o fato do tal cérebro artificial estar sujeito a erro se manifeste bem na hora de responder essa questão, a mais importante de todas! Imagina se ele dá uma resposta mais ou menos coerente, mas que tenha um componente de absurdo... algo como: 'Partam do Estado do bem-estar social como desejado pelo economista X da Silva, e obriguem todo mundo a usar chapéus de pirata amarelo nas quintas feiras.'. Ia ser uma grande confusão.

- Nossa. Mas e aí, o que fazemos? Não perguntamos?

- Não... perguntamos e ficamos na dúvida sobre ele ter respondido certo.

- Exatamente como estamos agora.

- É. Mas pelo menos vamos rir da resposta.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Homeopatia e outras dúvidas



Saiu na semana passada a condenação dos pais que perderam a filha ao tratá-la somente com Homeopatia. O assunto voltou à blogosfera e se espalhou rapidamente. Dez anos de cadeia.

Gostei particularmente da coluna do Contardo Calligaris, que saiu na Folha de SP, mas que acabei lendo em um comentário no blog do Henrique:

Se me coloco no lugar dos pais de Gloria, não consigo imaginar uma crença, por mais que ela possa ser crucial para mim, que resista à visão do corpinho de minha filha transformado numa ferida aberta e purulenta.

(...)

Se fosse testemunha de Jeová, e minha filha precisasse de uma transfusão (que a religião proíbe), abriria imediatamente uma exceção. Mesma coisa se fosse cientologista, e minha filha precisasse de ajuda psiquiátrica. Sou volúvel e irracional? O fato é que tenho poucas crenças (provavelmente, nenhuma absoluta), e acontece que, para mim, a razão é uma prática concreta, específica: um jeito de pesar e decidir em cada momento da vida.

Uma coisa a se notar é que pessoas como o Contardo (e eu, e muitas outras) nunca se associariam a grupos que exigem comportamentos irracionais como esses. Mas o problema, afinal, é que as pessoas se prendem fielmente a crenças indiscutíveis. Não estou falando sobre não ter certezas; estou falando de estar sempre reavaliando as certezas usando a razão e a realidade.

De que te vale a convicção de que Homeopatia funciona, diante da filha morta?

De que te vale a convicção de que Homeopatia não funciona, diante de um quadro que talvez pudesse ser melhorado pelo uso dela?

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Não acredito, assim como o Schwartsman, que Homeopatia funcione mais do que bolinhas de açúcar. Mas, diante do que está sendo discutido, a minha opinião não importa.

Mesmo assim, um código de ética mais restrito deveria ser discutido entre os homeopatas. Deve haver recomendações explícitas sobre procurar um médico 'alopata' (esse termo é ridículo) caso o tratamento não esteja funcionando, como bem apontou o Kentaro Mori. Esse tipo de proposta passou longe da discussão sobre o caso, e a Homeopatia saiu ilesa.

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O Henrique vê uma 'ditadura do relativismo' no texto do Calligaris. Eu não vejo. Eu vejo uma pessoa racional fazendo qualquer coisa (sem, é claro, ferir outras pessoas) para salvar um filho. É o que eu faria.

O que eu vejo, do meu lado, é uma 'ditadura da convicção'. Vejo a volta da velha conversa de que a falta de religião leva o mundo para o buraco, gente importante falando isso. Vejo muita gente comprando a historinha pra boi dormir do 'Eixo do Mal', como se os interesses de todas aquelas pessoas fossem mesmo 'fazer o mal'. Vejo empresas valorizando candidatos e funcionários que tem 'certeza' sobre o que vão estar fazendo daqui a cinco, dez anos (me perdoem, mas eu não sei, e me sinto completamente tranquilo com relação a isso. O fato de eu me adaptar e traçar objetivos viáveis de prazo curto não me faz um mau profissional, tenho certeza.). Ouço conversinhas sobre 'O Segredo', a 'certeza' materializando os desejos mais viajados. E tem gente que acredita. Gente instruída.

Mudar de ideia não é algo intrinsecamente errado. Mudar de ideia pode significar que você avaliou outro lado da questão e acreditou que havia mais realidade daquele lado. Acho isso bonito - você, de fato, aprendeu algo. Quem merece mais respeito: quem muda de ideia diante de argumentos plausíveis ou quem mantém sua opinião não importa o que aconteça em contrário? (Até comprei um livro sobre isso. Grandes nomes que mudaram de opinião sobre um ou outro assunto. Tem até o Dawkins.)

Convicções não ensinam nada. Convicções se auto-protegem, são fechadas em si mesmas, e não dão margem a diálogo. E como já disse Goethe:

Só sabemos com exatidão quando sabemos pouco; à medida que vamos adquirindo conhecimentos, instala-se a dúvida.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Mais um diálogo (des)pretensioso...

...agora sobre jornalismo.

(Estou cultivando algumas ideias, mas só vou parar pra escrever quando eu terminar de ler A Cabana. Até lá, se alguém tiver lido e quiser deixar algum comentário, fique à vontade - é sobre ele que vai ser o post.)

- Os jornais online estão uma droga. Você vai em um, lê uma notícia. Vai no outro, lê a notícia, é o mesmo texto! É só CTRL+C CTRL+V.

- É, o caminho é esse mesmo. Tem umas três grandes agências de notícias que cobrem o mundo inteiro e os jornais só dão uma regurgitada pra parecer conteúdo autêntico. Engraçado pensar que as notícias do mundo inteiro ficam na mão de meia dúzia de empresas.

- Tem hora que até dá pra notar que a notícia foi copiada: 'imagem divulgação' no meio do texto.

- Hahahaha. Acho que o futuro é as colunas de opinião. Sei lá, os Mainardis da vida. Eu não concordo com praticamente nada do que ele fala, mas pelo menos ele tem uma opinião.

- Mas de que adianta a opinião dele se você não concorda com nada?

- Bom, pelo menos eu tenho alguém a quem criticar. E ele é um cara que tem argumentos - tosquíssimos e tendenciosos, mas tem. E a partir das opiniões dele a gente pode tecer outros argumentos.

- Você então vê o Mainardi como uma espécie de referência contrária?

- Hm, mais ou menos isso. Ou um João-Bobo aristotélico em quem você bate por esporte.