Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

Simulação

Ontem me peguei pensando mais uma vez naquela história de realidade e simulação, e na possibilidade de estarmos mesmo dentro de uma 'Matrix'. O conceito é estranho, muito estranho, mas... crível.

Em 2003, um filósofo chamado Nick Bostrom escreveu um texto acadêmico considerando que a possibilidade de estarmos dentro de uma simulação é, na verdade, muito alta. O texto original está aqui. O argumento se baseia em 3 possibilidades:

1 - A probabilidade de uma civilização se extinguir antes de alcançar um estágio avançado de tecnologia é altíssima.

2 - Quase nenhuma civilização tecnologicamente avançada está interessada em executar simulações de computador de universos como o nosso.

3 - Há uma altíssima possibilidade de estarmos dentro de uma simulação.

Dessas três possibilidades, pelo menos uma é verdadeira.

Se (1) for verdadeira, então as civilizações em geral se extinguem antes de conseguir realizar simulações de computador em larga escala (de qualquer forma que você quiser imaginar: acidentes, catástrofes naturais, bombas, doenças, zumbis). Isso implicaria em estarmos perto da extinção, ou estarmos muito longe de conseguir maturidade tecnológica.

Se (2) for verdadeira, então as civilizações em geral alcançam um nível maduro de tecnologia mas não se interessam ou não estão dispostas a gastar os recursos necessários para realizar simulações de universos como o nosso. Isso implica que existem pouquíssimas simulações (ou nenhuma) e que a possibilidade de estarmos participando de uma dessas simulações é praticamente nula.

Agora, considere por um momento que (1) e (2) são falsas. Imagine que as civilizações em geral conseguem sobreviver e alcançar maturidade tecnológica suficiente para realizar grandes simulações, e que elas efetivamente realizam essas simulações.

Imagine, por exemplo, que nós sejamos a civilização em questão, e que nossos recursos computacionais se desenvolvam até um ponto que permitem a execução de uma simulação de todo um universo, a vida, e tudo mais. Imagine que façamos isso. Imagine que existam seres dentro dessa simulação que acreditam que sejam reais, no sentido mais básico da palavra, e que pensem e tenham contas bancárias, estações de metrô, religiões e filosofias e ciência sobre o universo que simulamos. Lembre-se que, se (1) e (2) são falsas, então eles também, dentro da simulação, iriam conseguir um nível tecnológico maduro e também iriam realizar grandes simulações. E essas simulações dentro da simulação iriam se desenvolver e gerar seres inteligentes, com contas bancárias, estações de metrô, religiões e filosofias e ciência. E então você (que está lá olhando as pessoinhas dentro do seu mundinho de brinquedo que estão olhando outras pessoinhas no mundo de brinquedo delas que estão...) de repente se pergunta: ops, então, como eu sei que eu também não estou em uma simulação? Como eu sei que sou o 'primeiro' elo de uma cadeia interminável de simulações? Como posso ter certeza de que ninguém está me simulando?

Pois é, você não sabe. E então, se (1) e (2) forem falsas, então (3) é verdadeira e a possibilidade de estarmos dentro de uma simulação é altíssima.

O argumento é muito interessante mas acredito que existam algumas arestas a serem aparadas. Existe a possibilidade de alcançarmos nível tecnológico avançado, termos interesse em executar simulações em larga escala, mas que essas simulações simplesmente não sejam possíveis.

Outra possibilidade é que façamos a tal simulação mas que os nossos seres simulados não tem nenhum interesse por criar outras simulações. Isso implica que o nosso interesse pode ser um ponto fora da curva e que realmente sejamos o primeiro elo de uma cadeia - pequena, nesse caso.

Um terceiro caso ignorado é a possibilidade de estarmos em um universo 'falso' e que a verdadeira realidade esteja além dos nossos sentidos, como prega a maioria das religiões. Nesse caso, estaríamos dentro de uma 'simulação', mas única e 'verdadeira' em um sentido transcendental.

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Sobre o post da Deh sobre religião e ateísmo, eu vi ontem e gostei muito desse vídeo sobre uma lição dada a um macaquinho.

Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Mais noticias

E não é que o The Pirate Bay foi comprado?
Segundo esse site, por 7.8 milhões de dólares por uma companhia sueca.

Do blog dos queridos piratinhas:

The profits from the sale will go into a foundation that is going to help with projects about freedom of speech, freedom of information and the openess of the nets. I hope everybody will help out in that and realize that this is the best option for all. Don't worry - be happy!


Ainda há esperança para os idealistas do mundo :)

Domingo, 28 de Junho de 2009

Extra! Extra!


Fim da exigência do diploma de jornalismo já faz efeito: Microsoft compra toda a seção de informática da Folha Online!

Ou será que seria comprado de qualquer jeito, como sempre foi feito até agora?

(Afirmar que o Windows 7 é mais leve que o Vista é dose. Pode parecer mais leve nos PCs de sua geração, mas não pense que você vai conseguir trocar o XP pelo Windows 7 numa boa.)

And, in the other news, Bing sucks.

Celebrity Skin

Não sei se acontece em outros países mas, no Brasil, a fama é uma coisa que te dá autoridade para falar sobre qualquer coisa, não importa como você conseguiu o status de celebridade.

É como se você fosse levado a lugar mágico onde você tem autoridade sobre tudo, não importando o que fez a sua fama. Não existem subcategorias de celebridades; celebridade é celebridade, não importa como chegou a esse status. 'Xuxa, o que você pensa sobre o aquecimento global?'. 'Romário, o que você acha que o presidente do Irã deve fazer sobre as acusações que vem sofrendo?'.

Vejam sobre o Michael Jackson:

A cantora Fernanda Abreu afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que está "chocada" com a notícia, mas não quis dar outras declarações.


Fernanda Abreu? Quem era essa mesmo? Ah, aquela da Kátia Flávia? Nããão, por favoorrr, fale-me maaaaaaais sobre o que você pensa da morte do Michael Jackson! Ansiamos por suas palavras!

Também tem Cláudia Leitte e Luciano Huck. Tudo muito relevante.

Com o twitter, agora virou notícia o que os famosos falam sobre outros famosos. E o que os famosos pensam sobre o que os outros famosos pensam sobre eles e sobre os outros. E... enfim. É isso.

Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

Wishlist

Alguém por favor me compra uma máquina de movimento perpétuo?

Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

The Asimov Chronicles - The Sequel




- Fui assistir Exterminador 4.

- E aí, gostou?

- Gostei sim, é bom... apesar de depor contra o que eu penso sobre essa história de brigar com os robôs. Ah, e o final é ridículo.

- Ah, sim, você já disse inúmeras vezes que acredita que os robôs vão nos ajudar ao invés de atrapalhar. E por que o final é ridículo?

- Porque além de ser mexicanoso, tem a história de se auto-afirmar como humano em contraposição ao que é robótico. Besteira. Mas... a história da guerra me fez pensar em algumas outras coisas interessantes.

- Por exemplo?

- Por exemplo, que os robôs, se realmente entrassem em guerra conosco, poderiam desenvolver sistemas espiões em tão larga escala e de forma tão disseminada que seria virtualmente impossível acabar com todos eles. Imagina... cada batedeira, cada televisão, cada telefone, tudo servindo como espião. Eles saberiam mais sobre nós do que nós mesmos! Mas o que mais me fez pensar é em um final alternativo... que, aliás, também serviria para o Matrix e que, na minha opinião, seria muito melhor.

- Não é muito difícil pensar em um final melhor do que aquele, não é mesmo?

- Verdade. Imagina; no começo, as máquinas realmente tinham entrado em guerra com os humanos mas, com o tempo, elas percebem que exterminar os humanos não faz sentido. Só que, antes de terminar a guerra, também percebem que os humanos estão sempre brigando uns contra os outros, e que precisam aprender que isso é absolutamente improdutivo... então continuam o conflito, matando o menor número possível de pessoas para manter as aparências - o que seria um número bem menor do que se estívessemos em guerra com outros humanos.

- Ou seja, eles nos protegeriam mantendo a guerra?

- Sim. E os humanos nem iam perceber; iam ter uma luta pra guiar suas vidas eternamente e não iam nem desconfiar. Iam ter vitórias aqui e ali, derrotas aqui e ali. E, eventualmente - e esse seria o momento do final do Matrix - os humanos também perceberiam que a guerra é ridícula e voltaríamos a ficar juntos.

- Mas você acha que as máquinas e os humanos se integrariam bem depois de uma guerra tão longa?

- É... pensando bem, talvez as máquinas exigissem que a gente falasse 'obrigado' para a batedeira depois de fazer uma maria-mole.

Quarta-feira, 3 de Junho de 2009

Poolboy

- Eu devo ter uns 500 filmes em casa.

- Tudo pornô?

- Ah, só uns 99.7%.

- Já assistiu todos?

- Não dá pra assistir filme pornô, você só vai passando as partes *(pausa para risos)*. As histórias são sempre as mesmas... é sempre a mulher que fica sozinha em casa, aí liga pra um amigo... ou então um cara vem limpar a piscina e com o tempo ela vai se interessando.

- É, deve haver uma identificação dos homens que assistem com o cara que limpa a piscina. Eles não se imaginam como o marido que saiu pra trabalhar; se imaginam como o cara que foi limpar a piscina.

- Isso aí!

- Mas o que o pessoal não pensa é que um mesmo limpador consegue dar conta de várias piscinas... ou seja, pra cada limpador, existem várias pessoas que saíram pra trabalhar. E isso implica que é mais provável que você seja o cara que saiu pra trabalhar do que o cara que foi limpar a piscina.

- Hm... por isso na minha casa eu já disse que nunca vai ter piscina.

Segunda-feira, 1 de Junho de 2009

Supers

- Tive uma idéia boa pra uma história. Talvez até daria pra escrever um livro.

- Que idéia?

- Sabe o lance do Superman ser um humano normal lá no planeta dele... não lembro o nome...

- Hm... tb não lembro.

- Crypton, lembrei. Então, ele era um 'humano' normal lá, e vindo aqui pra Terra, ganhou os super poderes do nosso Sol. Eu pensei em uma história razoavelmente parecida, mas não exatamente igual.

- E como seria?

- Imagina que um humano bem normalzinho daqui vá para um outro planeta, algo como 'Ziptron'...

- ...e ganhe super-poderes?

- Não! Ele continua exatamente com as mesmas habilidades que temos aqui. Mas imagine que os habitantes desse outro planeta, embora fisicamente parecidos conosco, se movam de uma maneira extremamente lenta e sejam pra lá de burros quando comparados aos nossos padrões.

- ...aí o ser humano que aqui é normalzinho, lá seria um super herói, é isso?

- Isso. Talvez os alienígenas pudessem ser bem fracos também... enfim, você entendeu o raciocínio. Acredito que ninguém ia achar a menor graça na história, mas seria um bom proof of concept pra demonstrar que é muito mais divertido quando você pode fazer coisas que originalmente você não poderia.

- Acabei de pensar que o 'Ensaio sobre a cegueira' tem uma super-heroina assim, a mulher do médico.

- É, e o super-poder dela não tem a menor graça, não é mesmo? Ela nem sai pulando entre os prédios, nem voa, nem toma uma atitude logo contra os bandidos.

- Eu acho que a história original ficaria seriamente prejudicada se ela pudesse fazer isso.

- Talvez, mas com certeza levaria mais adolescentes ao cinema.

Terça-feira, 26 de Maio de 2009

Piracy is stealing

Hoje, em um momento de ironia irresistível, um grupo canadense para discussões sobre economia digital foi pego copiando um documento americano sobre Copyright. E, no mesmo dia, um CEO da Sony disse que "a internet precisa de guardrails".

Há algum tempo, quando publicavam-se notícias sobre propriedade intelectual no SlashDot, eu gostava muito de discutir o assunto. Agora, só assisto os 'guardiões de conteúdo' (leia-se 'estúdios e editoras') caírem atirando em quem puderem. É uma guerra perdida. As grandes companhias podem ganhar um ou outro julgamento, fecharem um ou outro site, mas é um caminho sem volta.

O tal Michael Lynton, da Sony, já disse uma vez que ele não vê nada de bom na internet. Agora, ele defende seu antigo ponto de vista dizendo que a internet só trouxe coisas ruins a todos que produzem conteúdo intelectual (atores, artistas, escritores, cantores) porque as pessoas tem acesso a tudo isso sem pagar por nada. E continua:

How many people will be as motivated to write a book or a song, or make a movie if they know it is going to be immediately stolen from them and offered to the world with no compensation whatsoever? And how many people whose work is connected with those creative industries -- the carpenters, drivers, food service workers, and thousands of others -- will lose their jobs as piracy robs their business of resources?


Tradução tosca: "Quantas pessoas vão estar motivadas a escrever um livro ou uma música, ou fazer um filme, se souberem que o que fizerem vai ser imediatamente roubado deles e oferecido ao mundo sem nenhuma compensação? E quantas pessoas cujo trabalho é ligado a essas indústrias criativas - os carpinteiros, motoristas, pessoas que trabalham com comida e milhares de outros - vão perder seus empregos conforme a pirataria rouba recursos de seu negócio?"

Fico pensando se quando o Ian McEwan escreveu 'Atonement' ficou pensando em quanto ia receber de volta. Ou se quando Renato Teixeira escreveu 'Romaria' estava pensando lá na conta bancária, no carro que queria comprar. Dá até pra ir mais longe e imaginar o Leonardo da Vinci colocando uma catraca na entrada da Capela Sistina. Que negócio é esse de entrar quem quiser, olhar quem quiser? Que absurdo. Comunismo!
E penso em quantas bandas só ficam conhecidas porque a internet existe e espalha notícias e impressões tão rápido. E em como é bom ir a um show, mesmo caro, de um artista de quem você gosta. E que também nada (ainda) substitui o prazer de ler um livro no papel, e de ver um filme no cinema. E que hoje você tem acesso a arte de qualquer lugar do mundo, e que eu tive oportunidade de comprar facilmente um livro open source, mesmo podendo baixá-lo legalmente com um clique.

E penso também que me ensinaram que roubar era tirar algo de alguém, um conceito que não se encaixa quando você está simplesmente fazendo uma cópia. E a justiça americana concorda comigo nesse ponto, não sou só eu quem está dizendo. E pior - uma cópia onde a pessoa que oferece o tal conteúdo não ganha absolutamente nada. Ninguém no Pirate Bay ficou rico. Nem vai ficar.

Mas é muito mais fácil ignorar tudo isso, e afirmar que na internet só existe roubo. Talvez por ver desse jeito é que os estúdios estejam tão mal.

Segunda-feira, 25 de Maio de 2009

Dreams

- Essa noite sonhei que o Palmeiras ganhou o campeonato brasileiro.

- Ah, legal. Eu sonhei que eu estava viajando e que de repente estava de novo em casa. Estranho, não?

- Hm. Eu sonhei que estava visitando uma casa escura onde devia conversar com pessoas que se comportavam de um jeito esquisitíssimo. Kafkiano, praticamente. E eu tinha medo delas, mas elas estavam felizes com o meu comportamento e iam me dar um prêmio por reconhecimento. Era algo como o fim do 'Senhor dos Anéis', mas eu tinha feito algo errado no trabalho e tinha medo de me pegarem. Sexta saí do trabalho preocupado, maldita culpa católica. E aí eu estava saindo daquele lugar, mas comecei a me sentir profundamente mal e vi que alguém estava assistindo TV, e essa pessoa era alguém importante, mas eu não sabia quem era. E ela estava vendo um campeonato de xadrez pela televisão, e estava feliz porque o filho estava participando. E eu vi que o filho era eu, e que eu não conseguia mais jogar por não estar aguentando de tanto sono e que ia perder. E o cara que estava me vendo chamava o rapaz na televisão de filho, e eu não o conhecia, e eu era e não era o jogador de xadrez, tudo ao mesmo tempo. Acho que acabou assim.

- ....... er... alguém viu o jogo ontem?