quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Da Europa, um exemplo



Como sempre, a igreja é muito mais esperta do que a direita conservadora. Resmungou com a notícia para ficar bem na foto, mas não rosnou, nem mordeu. Isso porque ela sabe que o que agora parece uma derrota para o cristianismo é uma vitória a longo prazo, já que a decisão abre precedentes para outras regulamentações que inevitavelmente atingirão o Islã. E, na Europa, o Islã é um adversário muito mais importante do que o laicismo.

Dawkins, Dennet, esse povo faz muito barulho, mas na prática não manda nada. Muito mais complicado do que a retirada dos crucifixos é conviver com burcas e a lei sharia, que avança perigosamente sobre tribunais ingleses.

(Talvez eu esteja errado sobre a opinião da ICAR. Não tenho nenhum embasamento para escrever nada disso fora uma opinião mais ou menos fundamentada em notícias colhidas ao léu mas, com o pouco que sei, me parece fazer sentido.

Estou brincando de ter certeza.)

7 comentários:

Mariana. disse...

Realmente, a igreja agiu inteligentemente.

Eu concordo com a retirada dos símbolos nas escolas públicas sim. Mas me alongando um pouco mais: jamais concodaria com a proibição do uso do véu muçulmano, ou de pendurar uma cruz no pescoço, assim como não se deve proibir ninguém de pintar o próprio cabelo de verde limão. É o corpo de cada um, e cada um usa como quiser.

Agora, na parede, é outra história.

André T. disse...

Então... véu até vai. Burca é foda.

Mariana. disse...

hm... é, é foda. Mas não dá pra proibir, né? É ferir muito a liberdade das pessoas... Não sei...

André T. disse...

Bom, eu sou a favor de proibir burcas em escolas, sim. Na verdade, em todas as crianças. Afinal, mesmo que a pessoa (no caso a criança) aceite se sujeitar a tal vestimenta, é relativamente fácil demonstrar que seu uso viola direitos fundamentais garantidos em todos os países ocidentais. Ninguém pode abrir mão de seus direitos humanos.

Você já viu uma burca?
http://cache.jalopnik.com/assets/resources/2008/03/Burka.jpg

Suzana Elvas disse...

O problema, André, é que o Estado garante liberdade religiosa - e o judaísmo ortodoxo, por exemplo, exige roupas pretas, casacos, chapéus e cachinhos. Protestantes baniram as calças compridas do guarda-roupa feminino. Algumas correntes muçulmanas exigem a burca. Então, aí há uma contradição nas escolas públicas, porque ela deveria aceitar toda e qualquer religião que não fira as leis ou o direito do outro.

A escola, como receptora da diversidade, não pode ter sinais de quaisquer religiões, porque abriga todas e nenhuma. Mas proibir a burka (por mais odiosa que eu e você a achemos) não me parece coisa de um estado que se diz laico e democrático.

Em tempo: as burcas usadas por muçulmanos na França não são essas da foto, em países muçulmanos ultraconservadores. As crianças podem mostrar o rosto.

Bjs

Suzana Elvas disse...

Em tempo: o que é usado é o niqab, não a burca.

André T. disse...

Suzana, tem como você parar de ser bem informada e correta o tempo todo? Senão eu passo vergonha, pow! hehehehehehe