quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Bastarda insanidade

- Assisti Bastardos Inglórios.

- Ah, eu também já vi. Gostou?

- Então, gostei pra caramba. Mas sei lá, o filme é um liquidificador moral, né?

- Bom, eu tento deixar o cérebro do lado de fora da sessão.

- Eu também, mas o Tarantino apelou. Já ficaria implícito que rir da morte e do sofrimento é algo digno de pessoas como Hitler. Ele foi mais longe e deixou isso explícito... parece que estava rindo com a nossa cara.

- Você tem razão, mas ele riu da própria cara também. Lembra da cena em que o Hitler elogia o filme e o Goebbels fica todo emocionado, chega até a chorar?

- É. De alguma forma estranha, nós, como audiência, somos Hitler e o Tarantino, como diretor, é o Goebbels, feliz por provocar o nosso riso diante do sofrimento alheio. É terrível. Ele joga o público na lama e se joga na lama junto com ele.

- Ah, não. Mas aí você desconsidera que os acontecimentos finais estão circunscritos convenientemente dentro de um cinema***. O que eu acho que ele esteja dizendo é que, dentro do cinema, tudo pode. Dentro do cinema, podemos torcer pro bandido, podemos gostar de ver o malvadão sofrendo, podemos não ligar a mínima pra uma cena de violência extrema. Não há nada de errado com isso.

- Acho que faz parte da nossa natureza, essa coisa de gostar de ver o inimigo sofrendo. É muito algo difícil de negar.

- Ainda mais quando os nazistas estão do outro lado. Quanto mais identificamos os inimigos como malvados, mais fácil é aceitar que maldades sejam praticadas com com eles.

- Mas e no caso do filme do Batman, aquele truque do desaparecimento da caneta do Coringa? O cara era um bandidinho qualquer, nada importante, irrelevante pra história. Não se sabe se ele era de fato malvado.

- Talvez a gente não precise de uma vítima malvada para justificar a violência, mas ajuda muito.

- Ou talvez a insanidade também faça parte da nossa natureza.

- Hm. Cara, quer assistir o Batman de novo?


- Só se for agora!

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*** - Esse é o tipo de frase que faz o pessoal do trabalho olhar pra mim com uma cara de 'WTF???'. Muito bom.

Créditos à Deh, que não é nenhum dos dois 'personagens' mas que contribuiu com ideias.

17 comentários:

Henrique Rossi disse...

O que eu acho que ele esteja dizendo é que, dentro do cinema, tudo pode.

Maldita metalinguagem.. Parece que esses cineastas querem lembrar ao espectador o tempo todo que tudo é mentira quando, na verdade, o legal é sermos enganados.

- Ou talvez a insanidade também faça parte da nossa natureza.

Ela faz né? Mas nem por isso deve ser aceita como normal ou legítima (estou me referindo à insanidade metafórica, é claro, mas há quem elogie até a denotativa).

André T. disse...

Parece que esses cineastas querem lembrar ao espectador o tempo todo que tudo é mentira quando, na verdade, o legal é sermos enganados.

É verdade, mas pelo menos ele faz de um jeito bem sutil. Eu gostei bastante!

Deh disse...

Eu, da minha parte, estava lá pra me deixar enganar. E foi bom e, naquele contexto, é bom.

PS: Odeio isso de verificação de palavras.

D disse...

BASTARDOS INGLÓRIOS. O MELHOR FILME DO MUNDO. SEM MAIS PARA O MOMENTO.

Henrique Rossi disse...

Ah, mas eu não pararei com o seu enquanto você não censurar meus comentários! rs.. Gosto de tudo o que você escreve.

André T. disse...

D,

O dia internacional do Caps Lock era ontem! hahahaha

D disse...

bastardos inglórios. o melhor filme do mundo.sem mais para o momento.

D disse...

Não gostei das palavras em preto.

Suzana Elvas disse...

Matelinguagem. Liquidificador moral. Manipular o espectador.

Cara, análise de filme virou coisa muito difícil para mim. Meus neurônios andam muito acostumados com Madagascar e Up. Começa a dar curto pensar nessas coisas.
Sorry.

André T. disse...

Cara, análise de filme virou coisa muito difícil para mim. Meus neurônios andam muito acostumados com Madagascar e Up. Começa a dar curto pensar nessas coisas.
Sorry.


Queisso, Suzana. O melhor mesmo é desligar o cérebro e assistir o filme.

Ah, tou lendo o 'Deus, uma biografia'. Muito bom!

Suzana Elvas disse...

Não te disse?
;o)

D disse...

Deixei um comentário no Polimático sobre a questão das Supercodas e Teoria M. Se você entrar em um diálogo para dar a última palavra e ir embora, da próxima vez você me avisa? :)

O Henrique quer que eu pare de "brigar" com você porque assim você vai embora do blog. Olha que legal, um me deixa falando sozinha, o outro acha que eu to atrapalhando. Hoje é um bom dia para se sentir amada! hahaha

André T. disse...

Sim, sim, eu respondo. Mas eu parei de escrever lá não por causa das nossas discussões, e sim das coisas que ele postou depois que nem merecem comentário.

Suzana Elvas disse...

Minha nossa, vocês discutem Teoria das Cordas e Teoria M?

Tédio nesse casamento jamais haverá, né? É como "The Big Bang Theory", é? Com quadro explicativo e tudo no meio da sala?

André T. disse...

Hehehehe, você confundiu a D com a Deh. A Deh vira a cara quando falo dessas coisas... hahahaha

Suzana Elvas disse...

Hum, quando comentei aqui tinha mesmo confundido as duas, mas quando fui lá ver a discussão sobre "causa" e "afeito" - fiquei imaginando que ou vocês eram o casal mais estranho que eu já conheci ou eu tinha achado que os 'Ds' eram uma só :o)

Deh disse...

Viro mesmo, sou outro tipo de nerd..hahahahaha