quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Exemplos

[psicologia barata]É difícil a gente não se identificar com alguém. Em qualquer campo que nos interesse, acabamos encontrando um ícone com quem concordamos, alguém que diz exatamente as coisas que estávamos pensando e que não conseguíamos expressar - ou então alguém que tem ideias tão boas que ficamos com aquele pensamento de 'caramba, como é que não pensei nisso antes?'.[/psicologia barata]

E eu também tenho os meus exemplos (como fica óbvio pelo começo esquisito do post). Fora várias pessoas próximas, fui e sou admirador de (sem absolutamente nenhuma ordem) Newton, Demócrito, Borges, Buda, Turing, Kubrick, Einstein, Sagan, Jesus, Feynman, Machado de Assis, Popper, Russell, Lattes. Muitas dessas pessoas não são consideradas as 'maiores' em seu campo de atuação... mas, mesmo assim, me chamam a atenção por uma qualidade ou outra, um pensamento ou outro, uma determinação diferente. Entre outros, muitíssimos outros, de quem eu vou lembrar depois e pensar: 'caramba, como é que coloquei o Machado e não coloquei esse cara???'.

(Acabei de notar: nenhum político, nenhum esportista. Todos cientistas, ou religiosos, ou filósofos, ou artistas. Só dois brasileiros. Isso deve dizer alguma coisa sobre a nossa falta de heróis, ou então sobre os meus padrões distorcidos.)

Exemplos novos podem ser encontrados a todo momento, com um pouco de pesquisa. Eu tenho perdido muito tempo em um lado pseudamente culto do Youtube, e, nele, descobri mais dois bons representantes para a minha lista.

Primeiro, Neil deGrasse Tyson, um astrônomo muito engraçado, muito simpático e muito inteligente. É praticamente um Carl Sagan um pouco menos cientista e um pouco mais popstar. Nesse vídeo logo abaixo ele fala das profecias sobre o fim do mundo em 2012:


O meu outro novo herói é Austin Dacey, um filósofo que não tem nem página na Wikipedia, mas que escreveu um livro muito interessante sobre os problemas do excesso de relativismo entre os 'liberais seculares' (não sei bem como traduzir o 'liberais' como é entendido nos EUA para o português) que provavelmente agradaria até ao Henrique. Aqui tem uma entrevista dele, em áudio, para o Free Inquiry, que obviamente ninguém vai ter a paciência de ouvir:

'So, I say far too many secular liberals today are afraid to talk about religion, or to use the language of Virtue and Vice, Good and Evil, Sin and Redemption, and so we have abandoned the field of morality to the religious. The heart and soul of the very idea of the secular open society, I say, is conscience, and that is what we've lost.'

(Minha tradução: 'Eu digo que muitos liberais seculares de hoje em dia têm medo de falar de religião, ou de usar a linguagem da Virtude e Vício, Bem e Mal, Pecado e Redenção e, dessa forma, nós abandonamos o campo da moralidade para os religiosos. O coração e a alma da ideia de uma sociedade secular aberta, eu digo, é a consciência, e foi isso que perdemos.')

Prometo novos comentários assim que o livro chegar. Promete.

6 comentários:

Henrique disse...

'So, I say far too many secular liberals today are afraid to talk about religion, or to use the language of Virtue and Vice, Good and Evil, Sin and Redemption, and so we have abandoned the field of morality to the religious. The heart and soul of the very idea of the secular open society, I say, is conscience, and that is what we've lost.'

E não é a mais pura verdade?! :)

Assim como ele eu acredito que esse não é um campo do saber que deva estar restrito às pessoas que professam uma fé religiosa. Isso seria uma tremenda bobagem e uma imensa negação do saber. Afinal, quando uma pessoa sem religião decide não defecar em praça pública e, pelo contrário, corre ao banheiro - esta é uma decisão moral. Por que é então que a moral deveria ser assunto exclusivo de religiosos? No meu entendimento, isso não demonstra independência ideológica dos modernos, mas sua loucura completa!

Mudando um pouco de assunto. Faltou um grande brasileiro na sua lista de herói (não me entenda mal, é só uma sugestão): Heitor Villa-Lobos! O maior músico da história das Américas!

Tomei a liberdade de selecionar unas cositas do youtube para a degustação sua e de seus leitores:

http://www.youtube.com/watch?v=NxzP1XPCGJE

http://www.youtube.com/watch?v=DC8oFe5bkeY&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=s44uFI8AD0U

Espero que goste! :)

André T. disse...

Fiquei pensando que ficou faltando também pelo menos uma grande figura feminina. O que acontece é que nas áreas pelas quais me interesso as mulheres começaram a se envolver há muito pouco tempo (a não ser a literatura, que já tem um mais história feminina...).

De cabeça, sem pensar muito, só consigo citar Marie Curie, Simone de Beauvoir (que por sinal é o nome da minha maguinha no Diablo II) e, no ativismo, Rosa Parks.

André T. disse...

Henrique, outra coisa

'Assim como ele eu acredito que esse não é um campo do saber que deva estar restrito às pessoas que professam uma fé religiosa. Isso seria uma tremenda bobagem e uma imensa negação do saber. Afinal, quando uma pessoa sem religião decide não defecar em praça pública e, pelo contrário, corre ao banheiro - esta é uma decisão moral. Por que é então que a moral deveria ser assunto exclusivo de religiosos?'

Você tem razão sobre isso - mas é importante notar que, apesar da moralidade ser um campo comum, a definição do que é moral e o que é imoral passa longe de ser consenso.

Em outras palavras, ele afirma que objetivos morais devam ser traçados, mas isso não implica que os objetivos sejam os mesmos da direita religiosa - muito pelo contrário. Na verdade o que ele está fazendo é ajudar os seculares a se 'armarem' para o que ele chama de guerra cultural.

Henrique Rossi disse...

Lógico! Essas suas novas colocações também estão muito corretas..

O ridículo mesmo é algumas pessoas acharem que moralidade é assunto exclusivo de religiosos.

Na verdade, isso é coisa de gente ignorante. Acho que qualquer pessoa que tenha feito uma faculdade de ciências humanas sabe muito bem que as coisas não são assim...

Ariel Wollinger disse...

Verdade, tem muita gente que pergunta, mas se voce nao tem religiao, de onde voce tira sua moral? Poxa, ate chimpanzé tem nocao de moral, e nao é brincadeira!

Mariana. disse...

é mesmo um tremendo choque quando alguém me pergunta o porquê de eu me preocupar com coisas como justiça, bondade, etc, já que eu não sou teísta. Embora meus conceitos de moralidade nem sempre coincidam com os conceitos das religiões (e até de outras pessoas, religiosas ou não), não há como negar que existe um senso ético que norteia cada um dos meus atos.

Eu não acho que os religiosos só andam na linha por medo do inferno, mas quando uns me questionam isso, eu tenho base para acreditar né?

E tem mais: já vi por aí quem diga que eu* (ou qqr outra pessoa), como sujeito, posso até me considerar atéia, mas os meus predicados não são, porque eu ajo de acordo com preceitos cristãos (justiça, bondade). E por isso, nada adianta eu me declarar atéia, já que eu vivo como cristã. Uma bobagem, porque a religião não é a unica fonte de ética e moralidade, como sabemos bem.

AH, falando em chipanzes: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG80470-6010-499,00-DE+ONDE+VEM+NOSSA+MORAL.html